Medo

 


O tempo passa e às vezes gosto de lembrar o quanto eu sentia medo na minha infância. Poderia ser de coisas tão simples como, medo do escuro ou, fictícias como, do bicho-papão. Sempre que eu escutava barulhos embaixo da cama, me escondia nos meus lençóis. Nunca gostei de olhar dentro do meu guarda-roupa quando estava de noite, e sempre verificava todas as tardes se não tinha abertura para que nenhum monstro entrasse. Bem, depois eu fui perdendo esses medos, passei a dormir com a luz desligada e comecei a abrir o meu guarda-roupa de noite para verificar se eu tinha guardado o meu material escolar, sempre esquecia alguma coisa em casa no dia seguinte. Mas logo foram aparecendo novos medos como medo de raios e trovões, eu chorava quando faltava energia em casa.

É engraçado, mas, sempre que eu perdia um medo eu ganhava outro e, eu nem sabia de onde vinha tanto medo assim. Meu pai costumava achar que era só uma fase da minha vida e que logo eu não sentiria medo de mais nada. E minha mãe ficava contando histórias sobre heróis valentes que combatiam os seus medos e encaravam mesmo tendo pavor deles. Depois de um tempo eu comecei a me sentir mais confiante e, me preparava para enfrentar qualquer medo, seja lá o que fosse, no fim, eu não teria mais medo daquilo. Passei a me desafiar a assistir filmes de terror de noite e ir dormir sozinho. Confesso que não foi uma tarefa fácil, no começo eu acabava indo dormir na cama com os meus pais. Porém, depois de uns meses, filmes de terror se tornaram os meus filmes prediletos.

Bem, eu queria terminar esse texto e dizer: ”eu não sinto medo de mais nada” como meu pai disse uma vez, mas, não foi bem assim. Hoje, eu não tenho tantos medos como antes, mas, o engraçado, é que o medo sempre fez parte de nossas vidas e, principalmente do nosso crescimento. Agora eu costumo ter medo de não ganhar dinheiro, de perder entes queridos e de ficar sozinho. Mas, a vida é assim, cheia de pesadelos, mas, se uma coisa eu aprendi com os meus medos foi que a vida continua, e não adianta querer ser o valente, pois até mesmo os heróis sentem medo de vez em quando. Porém, nunca perca as esperanças de seguir enfrentando seus medos e continuar lutando, porque o pior medo é não ter vontade de tentar de novo.


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