Resenha do álbum 'Canvas' - Moya Brennan



Olááá! Eis mais uma resenha de álbum aqui no blog! E esse é um disco muito, mas muuuuuito especial! 'Canvas' é o mais recente trabalho de uma das minhas cantoras favoritas, Moya Brennan. 
O primeiro trabalho solo desde o disco 'Signature', de 2006, é cheio de músicas lindas e emocionantes!

Sei que minha última resenha foi faixa-a-faixa, mas essa aqui também será (pra compensar, farei duas resenhas gerais seguidas mais pra frente).


Antes de falar sobre o disco em si, é bom falar sobre a cantora. Moya Brennan é conhecida como a 'Primeira Dama da Música Celta'. Nascida em uma família de músicos, a irlandesa formou a banda Clannad juntamente com alguns de seus irmãos e tios. O grupo já ganhou prêmios importantes como o Grammy e o BAFTA, além de ser um dos principais nomes da música tradicional da Ilha Esmeralda.

O belo título que Moya carrega faz jus à ela. Com mais de 35 anos de carreira, ela continua esgotando shows e impressionando os fãs. Inclusive, Bono Vox, vocalista do U2 (outra banda que eu amo muito, hihi) já disse que a cantora tem uma das vozes mais bonitas que ele já ouviu (inclusive, eles já fizeram uma linda parceria).

Bem, deixa eu começar falando da capa. É simplesmente MARAVILHOSA e combinou totalmente com o título do CD (Canvas quer dizer 'tela de pintura'). A pintura foi feita pela própria Moya, o que mostra que a música não é o único talento dela. Aliás, todo o trabalho visual foi feito pela cantora. Tem outras ilustrações feitas por Brennan, inclusive um autorretrato dela no interior do disco.

É sem dúvida um dos trabalhos mais pessoais (se não o mais pessoal) da carreira da cantora. Tanto no conteúdo de suas músicas quanto na própria produção (seus filhos estiveram envolvidos na criação e gravação das canções, e o marido (que também participou do processo de criação) tirou fotografias que foram parar no encarte do álbum).

1 - River of Songs

A primeira música do 'Canvas' foi feita especialmente para o pai de Moya, Leo Brennan, que faleceu no ano passado. Leo (juntamente com 'Baba', a mãe de Moya) foi uma grande influência musical para Moya e seus irmãos, e é lembrado como uma figura extremamente carismática tanto pelas pessoas próximas quanto pelos fãs de Moya, Clannad e Enya (sim, Enya é irmã de Moya, o que prova que o talento está no DNA dos Brennan). O disco inteiro, na verdade, é dedicado à ele.

É uma das músicas mais belas do disco, tanto pelo instrumental quanto pela letra.  Cheia de elementos que remetem à tradicionalidade celta, 'River of Songs' definitivamente faz jus não só à cantora, mas à Leo Brennan. É uma música triste de certa forma, pois você consegue visualizar esses sentimentos de Moya através da letra.

Mas ao mesmo tempo, é uma canção relaxante, que te faz percorrer caminhos sem sair do lugar. Assim como um rio, você consegue seguir um fluxo, uma espécie de 'correnteza musical', digamos assim. É realmente uma música excelente!

Abaixo, um pequeno vídeo mostrando parte da gravação da música.



2 - A Portrait of My Life

Ao ver o nome dessa música, imediatamente o associei ao autorretrato feito por Moya. E pelo visto, a intenção é essa mesmo. 'A Portrait of My Life' é uma reflexão sobre a própria vida, as atitudes tomadas ao longo da trajetória musical e pessoal, e as mudanças que ocorreram. Na letra, é feita uma associação muito interessante das cores com o destino: Changing my ways/painting colours of my time.

A harpa é o elemento mais visível da música (o instrumento é um dos que Moya mais toca, e é sem dúvida o mais importante da Irlanda, tanto que é considerado símbolo nacional). Mas também é possível ver uns elementos eletrônicos e de uma aparente guitarra.

É uma junção interessante da tradição, de uma leve 'rebeldia' trazida pela guitarra e da modernidade, com elementos que parecem uma espécia de percussão eletrônica. Levem em consideração que a minha pessoa não entende nadinha de teoria musical e alguns instrumentos não são familiares pra mim. Então não liguem se eu deixar alguma coisa passar, hihi.

3 - Nuair A Bhí Óg (ou Nuair A Bhí Muid Óg)

Segundo o querido Google Tradutor, esse título quer dizer 'Quando era (ou eramos) jovem (ou jovens)'. É que o título da música é oficialmente o primeiro, mas o segundo também aparece como título, e o GT traduziu ambos com uma pequena diferença de sujeito.

Ainda não sei falar gaélico-irlandês, o idioma dessa música. No máximo, algumas palavras. Mas é questão de honra pra mim aprender a falar direitinho. Acho que é um idioma tão lindo!

A música já começa com o som de pássaros. A harpa também está presente (claro!). O que me remete diretamente à natureza. A voz de Moya e também de seu coral estão de um jeito que dá uma misticidade ainda maior. O aspecto místico é totalmente comum na cultura irlandesa (um aspecto que, inclusive, me conquistou bastante sobre essa riquíssima cultura).

Sobre a letra: bem, como eu disse, não sei muito de irlandês. Mas pelo pouco que eu entendi, fala um pouco da juventude da própria Moya, fazendo também uma relação com o folclore irlandês.

4 - Going Home

O piano é o instrumento mais forte da música, mas a harpa, uma pequena parte de guitarra, percussões e ótimos vocais também estão na música.

A letra é bilíngue (90% gaélico e 10% em inglês, apesar do título da música ser em inglês). Ela fala da saudade de casa e da felicidade de ir para casa. Afinal, não há lugar como a nossa casa, não é mesmo?

É uma música perfeita para viajar (literalmente!). Ou para ir para casa depois da escola/faculdade, trabalho, afazeres diversos. Ajuda a acalmar o estresse daquele trânsito terrível que encaramos nas grandes cidades, e também para acalentar a saudade de casa.

5 - Children of War

'Children of War' é uma das músicas mais profundas do disco. É uma reflexão importante a se fazer, em uma época onde guerras e terrorismo viraram uma triste rotina exibida nos noticiários. A canção chama atenção para as crianças que estão em áreas de guerra (como a Síria, por exemplo, cujo conflito vitimou centenas de crianças e deixou várias órfãs e traumatizadas). Podemos sentir um pouco da dor (creio que jamais saberemos com precisão a dimensão do sofrimento delas).

Logo no início, ouvimos um barulho de rádio-transmissor, muito usado para comunicação entre militares nesses conflitos. Isso já nos situa na música, já nos coloca no lugar onde essas crianças estão. As notas mais graves dos instrumentos na música trazem o peso do sofrimento, mas os vocais trazem a sensação de conforto. Um consolo para esse sofrimento.

A melodia, e principalmente a letra, nos levam a pensar nessas crianças. Em todo o sofrimento passado por esses pequenos. Crianças inocentes que estão pagando o preço de algo que não tem nada a ver com elas. É muito triste pensar que milhares delas estão por aí, muitas vezes sem comida, água, abrigo e/ ou família.

Falta humanidade na própria humanidade. Falta compaixão por aí. Que essa canção ajude a despertar a solidariedade que tanto precisamos.

6 - Where We Once Met

Mais uma música com elementos místicos e natureza. Porém, ao contrário da faixa 3, que é em irlandês e que fala da juventude, 'Where We Once Met' já passa uma sensação mais romântica.

Só que não exatamente me passa a sensação de um romance que está sendo vivido no momento, e sim da lembrança de um romance do passado. Algo mantido em segredo, algo sem uma resposta definida.

A harpa dá o tom da música o tempo todo, e combina perfeitamente com a energia da canção. Também tem uma flauta linda, que reforça ainda mais essa vibe.

Uma bela canção! Sério, não conheço uma música ruim da Moya. Incrível isso!


7 - Do'n Pháiste Óg

Mais uma vez, tive que recorrer ao Google Tradutor (sério, se alguém tiver um guia completo de gaélico-irlandês por aí, e quiser me mandar, fico agradecida u.u). Segundo o GT, o título quer dizer 'Da jovem criança'.

O instrumental tem um quê de música contemporânea, por conta de alguns elementos presentes na canção. O violino, o piano e a percussão fazem uma leve associação com o passado. É uma combinação bem interessante.

A letra, que está toda em gaélico, não foi completamente traduzida pelo GT. Mas a parte traduzida me faz alusão à uma mãe que está sofrendo por seu filho "sair do ninho". E está o aconselhando para a nova vida que sua 'cria' vai levar.

Sabemos que para nossas mães, seremos eternas crianças. Enfim, no geral, é essa sensação que a música me traz.

8 - You Never Know

Essa música me remeteu ao Signature de alguma forma, não sei porquê. Ela tem partes mais lentas, e no refrão, dá uma acelerada. Não só nos vocais (aliás, adorei a enorme variação das notas nos vocais, alternando super bem com notas mais graves e mais agudas), mas nos instrumentos (na harpa percebemos essa variação com mais facilidade).

A letra é uma reflexão sobre o destino: nós nunca saberemos o que vai acontecer, nunca saberemos todas as respostas para a vida, mas temos que estar preparados pra tudo o que pode acontecer. Podemos nos basear no passado para tomar algumas decisões no futuro, mas nem sempre isso vai funcionar. Então, temos que ficar atentos e precavidos.

A gente que faz Jornalismo tem essa mania de querer prever o futuro e aprender de tudo um pouco, sabe? hahaha É meio que essencial pra nossa profissão. Mas claro, jamais iremos saber de tudo (só espero saber o suficiente pra não afundar no meu Trabalho de Conclusão de Curso, o famigerado TCC u.u).


9 - The Duel

Essa música exala folclore irlandês do início ao fim. É como se fosse uma canção feita por um bardo retratando as vitórias de um dos heróis celtas mais famosos da história (Cú Chulainn, que quer dizer 'Cão da caça de Culann'). Aqui nesse link você pode aprender um pouco mais sobre ele.

Eis uma representação do herói


A letra meio que resume a história desse grande nome celta mitológico. Desde seu nascimento, ressaltando que ele nasceu para ser um herói, até a sua morte, e a tristeza que se abate sobre as pessoas, ao perceberem que ele se foi.

Os instrumentos (em especial a percussão), nos passam essa ideia de batalha. A voz de Moya na música vai do sentido de proclamação das glórias do herói até a lamentação pela sua morte.

A canção é uma viagem ao passado e um aprendizado sobre essa lenda incrível. Se tiver interesse e oportunidade, procure saber mais sobre a Mitologia Celta. É incrível, uma das minhas favoritas (junto com a greco-romana e a nórdica).

10 - Where You Belong

É uma das minhas favoritas do disco (junto com River of Songs, Children of War e The Duel). Não vou mentir: chorei (e muito!) com essa música!

Sabe quando você tá na bad, querendo desistir de tudo, de saco cheio do mundo, e aí vem um amigo ou amiga te animar? Essa música é isso. Hiper motivadora! Dá mais vontade ainda de abraçar Moyazita e não soltar tão cedo, hihi

A letra é tão linda que dá vontade de colar na testa e sair com ela por aí! Perfeita para se reerguer nos momentos de fragilidade, que todos nós temos.

A melodia tem um toque contemporâneo, trazido principalmente pela leve percussão.  O ritmo da música, de certa forma, me remete à uma tentativa de fuga de algo. A harpa (juntamente com o belíssimo vocal de Moya) traz a paz tanto procurada. O coral reforça a ideia de que nós não estamos sozinhos nessas situações tristes.

E aproveitando o gancho dessa música, quero deixar aqui um link de uma entrevista minha para a TV UFMG, na qual eu falo sobre a depressão que eu enfrentei e como a superei. 


11 - Banríon

Em irlandês, 'Banríon' quer dizer rainha (segundo o Google Tradutor, de novo). É a única música instrumental do Canvas, pra fechar com chave de ouro o disco.

A harpa e o violino são os principais elementos da música, que também tem uma leve vocalização de Moya e uma bela flauta (esse estilo é bem forte na musicalidade da família Brennan, sendo que Enya popularizou bastante isso).

Ela me passa duas sensações distintas: de saudade de alguma vivência, e também de uma mãe acalentando seu bebê. Levando em consideração que nossas mães são nossas rainhas, creio que a segunda sensação faça mais sentido.


E, para finalizar a resenha, mostro aqui um dos melhores presentes que já recebi na minha vida: o 'Canvas' autografado! Agradeço ao meu grande amigo, Harm, que me deu esse presente, e a todos que autografaram!
O disco foi autografado por Moya Brennan, Cormac De Barra, Lia Wright, e os três Jarvis (Aisling, Paul e Tim).

Espero que tenha gostado dessa resenha! Foi feita com muito carinho! Em breve tem nova 'Dica Selo Jovem'! Não perca!

Mega beijo e até logo!


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